domingo, 29 de setembro de 2019

5º Campeonato da Europa DSISO - Ólbia 2019
























Press 64 - Campeonato da Europa - Ólbia - Sardenha

João Vaz renova título de Campeão Europeu
Oito Medalhas conquistadas e Sete Recordes batidos em Ólbia Campeonato da Europa DSISO 
Conquistou Oito Medalhas (1 de Ouro, 6 de Prata e 1 de Bronze) e bateu Oito Recordes (5 Nacionais e 3 Europeus) no Campeonato da Europa de Natação DSISO 2019, que decorreu entre 15 e 22 de setembro, em Ólbia, Itália.
O Embaixador do GO fit Olivais estreou-se com 2 Medalhas de Prata, nos 100m Bruços (1.32.11) e nos 4x50m Estilos (2.35.51 – Recorde Nacional, com os colegas André Almeida, Filipe Santos e Diogo Matos). Na quarta-feira, dia 18, João Vaz repetiu o feito, somando mais 2 Medalhas de Prata, nos 200m Estilos (3.02.61 – Recorde Nacional e Recorde Europeu M1) e na estafeta 4x100m Estilos (5.51.20 – Recorde Nacional). Após um dia de descanso, o nadador voltou a subir ao pódio por 2 ocasiões, para receber a Medalha de Prata da estafeta 4x100m Livres (5.21.26 – Recorde Nacional) e a Medalha de Bronze da prova 50m Bruços (43.87). O nadador do Sporting reservou o melhor para o fim. No último dia de provas, João Vaz volta a sagrar-se Campeão Europeu (Medalha de Ouro), ao terminar os 200m Bruços em 3.14.60 e batendo Três Recordes, um Nacional e dois Europeus (em Open e M1). Além de revalidar o título alcançado em Paris (2017), o pupilo de Rui Gama somou mais uma Medalha de Prata nos 200m Mariposa (3.16.61). O Embaixador da Semana Europeia do Desporto regressa a Portugal com os objetivos cumpridos (Título Europeu) e superando as expetativas em algumas provas.

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Press 63 - Campeonato da uropa - Sardenha - 15 a 22 de Setembro de 2019

João Vaz em Estágio antes do Europeu
Campeonato da Europa DSISO arranca dia 17 setembro

DSISO João Vaz começou esta quinta-feira, 12 de setembro, o Estágio de Preparação tendo em vista a participação no Campeonato da Europa de Natação DSISO 2019. Esta concentração realiza-se em Rio Maior, até 15 de setembro, contanto com todos os elementos da Seleção Nacional que participam no evento. O Atleta do Sporting Clube de Portugal viaja para Ólbia (Itália), local da prova, no domingo, 15 de setembro. No dia seguinte, realiza o Treino de adaptação à piscina e cumpre-se a Cerimónia de Abertura.
Recordamos que João Vaz alcançou a sua Melhor Participação de Sempre em Campeonatos da Europa DSISO, em Paris 2017, ao sagrar-se Bicampeão da Europa e conquistar um total de 13 Medalhas (2 de Ouro, 6 de Prata e 5 de Bronze). Este ano, o embaixador do GO fit Olivais estreia-se com prova dupla (100m Bruços e 400m Estilos, onde defende o título europeu) na terça-feira, dia 17. Reentra na piscina no dia seguinte para fazer os 200m Estilos. Após um dia de descanso, o nadador compete nos 50m Bruços. João Vaz fecha a competição como começou, prova dupla (200m Bruços e 200m Mariposa) e defesa do título europeu (nos 200m Bruços). O pupilo de Rui Gama tem como objetivos, superar as suas marcar individuais, renovar os títulos europeus em 400m Estilos e 200m Bruços e apurar-se para as finais, procurando um lugar no pódio nas restantes provas.


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terça-feira, 28 de maio de 2019

Jamor - 12 de Maio de 2019



Press 62

João Vaz conquista o Ouro nas 6 provas em que participou 2 Recordes Europeus M1, 1 Recorde Europeu Open e 5 Recordes Nacionais Campeonato Nacional de Verão - Natação Adaptada 11 e 12 de maio de 2019 Complexo de Piscinas Olímpicas do Jamor

João Vaz volta a vencer todas as provas em que participa, desta vez no Campeonato Nacional de Verão, quebrando 2 Recordes Europeus M1, 1 Recorde Europeu Open e 5 Recordes Nacionais. O Campeão Europeu terminou com 8 Medalhas de Ouro ao peito, 6 da categoria S21 e 2 por ser vencedor em todas as categorias (Absolutos). A competição teve lugar no Complexo de Piscinas Olímpicas do Jamor, nos dias 11 e 12 de maio, e a sua organização esteve a cargo da Federação Portuguesa de Natação e da Associação de Natação de Lisboa, com o apoio do Centro Desportivo Nacional do Jamor. Na 1ª Jornada, João Vaz venceu nos 100m Bruços (com o tempo 1.31.96), quebrando o Recorde Europeu M1, o Recorde Nacional e outro Recorde Nacional na passagem dos 50m. Venceu também nos 200m Bruços (em 3.17.88), onde bateu o Recorde Europeu Open, Recorde Europeu M1 e o Recorde Nacional. Na última etapa do dia, terminou com a conquista da Estafeta 4x100m Livres (5.56.10), juntamente com a sua equipa do Sporting Clube de Portugal, quebrando outro Recorde Nacional. Na 2ª Jornada, foi igualmente bem-sucedido, vencendo nos 200m Mariposa (3.22.66) e nos 200m Estilos (3.14.56). Na Estafeta 4x100m Estilos, com os seus colegas de equipa, voltou a subir ao lugar mais alto do pódio, batendo outro Recorde Nacional. Com estes resultados, João Vaz cumpriu os objetivos a que se propôs e continua a sua preparação para o Campeonato da Europa DSISO, que se realiza em Olbia, Sardenha, entre os dias 15 e 22 de setembro.





domingo, 26 de maio de 2019

João Vaz - Excelência humana e atlética


Olhando quer retrospectivamente quer de forma sincrónica para o conjunto sempre em mutação que constitui isso que se designa diplomaticamente como «humanidade» percebe-se que talvez o maior problema que, a este nível, existe é o da definição precisa do que é propriamente a humanidade, o que é propriamente ser-se humano, um ser humano.
Todas as formas tribalistas antigas e contemporâneas definem o próprio do humano como isso que obedece aos princípios míticos em torno dos quais se constitui a tribo a que se pertence, sejam tais princípios claramente assumidos como míticos sejam disfarçados de formas “superiores” de racionalidade.
Ora, a humanidade tribal sempre se definiu propriamente por oposição à definição do que é propriamente humano nas outras tribos. Tal significa que o que é mesmo humano é o que pertence ao que o mito da minha tribo define como tal. A definição de humanidade e de ser humano seu constituinte é, assim, um acto cultural e apenas cultural.
Pode ser o nazi-ariano por oposição ao restante da humanidade; pode ser o membro do Klan norte americano, através do mesmo modo universal de distinção; pode ser o “branco” relativamente ao “preto” ou o “preto” relativamente ao “branco”; pode ser o rico relativamente ao pobre; o indivíduo com elevado QI relativamente ao de baixo QI, mas cuja acção aquele explora porque não pode viver sem ela.
Todavia, também pode ser o “saudável” relativamente ao “doente” ou o “normal” relativamente ao “anormal”. Estas distinções, todas elas etnocêntricas, todas elas onto-antropológica, ética e politicamente ilegítimas fundaram as relações humanas e continuam a fundá-las, mesmo no campo macro da geopolítica e das, assim perversas, relações internacionais entre estados, povos, nações, instituições várias.
Sendo este panorama etnocêntrico universal o que é, apesar das superficiais declarações em contrário, proferidas pelos mesmos responsáveis pela existência de tais perversidades antropológicas e político-sociais, não é de surpreender que se estenda, também, ao campo do desporto, em que a discriminação etnocêntrica vária ainda se encontra presente.
Uma destas presenças consiste em tratar os desportistas que não são considerados como aptos a competir com os ditos “normais” como desportistas de ordem inferior, assim os tratando como se de uma tribo menor se tratasse, impassível de conviver ao mesmo nível da tribo dos “bons”, dos privilegiados pela natureza, dos que foram eleitos para se destacarem antropologicamente entre os seres humanos que a si próprios se consideram como os normais, classificação que recebe tacitamente o beneplácito das instituições nacionais e internacionais que aceitam tal classificação, tal discriminação.
Ora, subjacente a esta discriminação está o irracional preconceito de que os chamados «deficientes» não são seres humanos semelhantes aos outros, apenas diferentes, nas circunstâncias que são as suas.
Não há qualquer razão para que, consideradas positiva e não negativamente as suas diferenças, não possam e mesmo devam poder fazer tudo o que os outros fazem, também segundo as suas diferenças próprias, sem que sejam considerados «menos humanos» ou indignos de estar lado-a-lado com os demais ditos «normais».
Há que notar que todos os seres humanos são deficientes de um modo ou de outro: que capacidade tem um homem com dois metros e vinte de altura e cento e cinquenta quilos de peso para ser cavaleiro de corridas de velocidade? Isso faz dele «anormal», deficiente, menos humano por comparação com o habitual cavaleiro com um metro e sessenta de altura e sessenta quilos de peso?
Então, por que razão não hão-de os atletas, quaisquer, mas sobretudo os excelentes em sua diferença, ser tratados como humanamente semelhantes em direitos e deveres aos outros, aos ditos «normais»?
Por que razão não haver, mas haver mesmo, competições em que uns e outros se pudessem encontrar, não para competir humilhando-se, mas para competir imbricando as suas diferentes formas de uma mesma humanidade?
Por que razão certas formas de desporto não são ainda reconhecidas como olímpicas, como, por exemplo, a natação dita «adaptada»? «Adaptada» a quê? Ou será que a «normal» também não é adaptada ao seu nível e modo; ou é «desadaptada», talvez «inadaptada»? Não é todo o desporto necessariamente adaptado ao que é como desporto diferenciado?
 Toda esta irracionalidade, inaceitável neste século XXI e fruto de estruturas antropológicas arcaicas e primitivas que já deveriam ter desaparecido, obriga a que atletas de várias modalidades «não-normais» tenham muito mais dificuldade em procurar e manifestar a sua excelência possível do que os proclamados «normais». Ora, tais dificuldades implicam que os triunfos destes atletas desconsiderados tenham um mérito relativo e absoluto muito maior do que os outros, apaparicados etnocentricamente pelo sistema discriminatório, em que os «normais» privilegiam os «normais».
Serve esta reflexão para ajudar a magnificar algo que concretiza um ponto de viragem fundamental e de grande dignidade antropológica, ética e política e que é a presença de atletas especialmente diferenciados na selecção para o Prémio do Melhor Atleta do Ano, relativo a 2018, promovido pela Confederação do Desporto de Portugal.
O facto de se pôr debaixo de uma única designação antropológica universal – agora – todos os atletas, independentemente da sua especial diferença, constitui um marco cultural e civilizacional do mais elevado mérito humano, cumpridor da Carta dos Direitos Humanos.
No desporto, como no mais da vida humana, em termos de mérito pessoal, o que interessa são os actos que cada um fez, que cada um é. O mais é especulativo, quiçá, preconceituoso.
No caso vertente, é o palmarés objectivo que deve contar e, a partir dele, ser feito o juízo acerca de quem foram os melhores, realmente, sem preconceitos ou má-fé.
O grande Atleta nadador João Vaz, ser humano portador de trissomia vinte e um, foi este ano incluído na lista dos possíveis melhores. Foi-o objectivamente: não porque pertence a quotas, não porque é visto de modo especial, mas porque se integra na normalidade do que deve ser a triagem e eleição normal de todos os seres humanos – identicamente humanos – em qualquer âmbito da acção humana.
Parabéns ao João; mas, sobretudo, parabéns a quem conseguiu pessoal e institucionalmente evoluir para um patamar de inteligência em que formal e materialmente se supera tudo o que são atavismos etnocêntricos aniquiladores da objectiva dignidade humana.
Está também Portugal de parabéns. Encetado o caminho, agora há que não vacilar e não retroceder, sobretudo em tempos em que as velhas estruturas etnocêntricas estão a reganhar terreno.
Janeiro de 2019
Américo Pereira
FCH/UCP